Além da Cerca

O poder só nasce e sobrevive através de pessoas que garantam sua forca. Afinal, que valia tem um rei sem súditos, um líder sem seguidores, um chefe sem empregados ou um religioso sem fiéis?

Toda e qualquer mudança de ideologia deve, necessariamente, ter seu gênese dentro das pessoas que legitimam a situação, pois aproveitadores são inevitáveis num mundo de grande rebanho, onde poucos se proclamam fazendeiros.

Quando se percebe a dor do ferrete e se enxerga impaciente no tronco, quando já se está cansado de ser tangido, a única solução é arrancar o sino e correr ao pasto.

Somente a liberdade pode retirar o julgo. Não adianta mudar de curral se o poder continuará opressivo. Se existe relva verde além da cerca, por que se contentar com uma porção de comida? É pela insistência em ser ordenado que o poder continua abusivo, as pessoas continuam enclausuradas e a relva verde é extravagante para os poucos que a alcançaram.

‘Numa sala estão sentados três grandes homens, um rei, um sacerdote e um homem rico com o seu ouro. Entre eles está um mercenário, um homem pequeno, de nascimento comum e sem grande inteligência. Cada um dos grandes pede a ele para matar os outros dois. “Faça isso”, diz o rei, “pois eu sou seu governante por direito”. “Faça isso”, diz o sacerdote, “pois estou ordenando em nome dos deuses”. “Faça isso”, diz o rico, “e todo esse ouro será seu”. Agora diga-me: Quem sobrevive e quem morre?’
(Fala de Lorde Varys em A Fúria dos Reis)

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