Deus está.

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          Não acredito em um mundo homogêneo. Se Deus realmente quisesse isso, não teria nos dado liberdade de ser e pensar o que quiséssemos. Como seres humanos, um dos nossos maiores trunfos é, justamente, a diferença, nossa diversificação, organizações heterogêneas. Se formos verificar historicamente a construção societária, nossas formas de organizações, veremos que a homogeneidade fracassou. Isso pois, esse tipo de configuração se aplicava, necessariamente, a grupos organizacionais reduzidos. Depois do feudalismo, evoluímos. As relações mercantis entre povos, o surgimento de cidades, gerou uma organização social que agora seria, necessariamente, heterogênea. Isso é impressionante, e explica as múltiplas expressões culturais inseridas dentro de um mesmo povo. Dentre deles, tenho para mim a imensa diversificação cultural, racial e religiosa brasileira como uma das maiores expressões de humanidade. É para termos orgulho dessa nossa brasilidade multiforme! Se o Brasil, ou qualquer povo, fosse reduzido à uma única maneira de pensar, um único molde, única moldura, seríamos monocromáticos, pobres, vazios. Por isso, não acredito em transplante cultural, e nem acredito que isso é ‘o plano de Deus’. Deus não é o Deus Cristão, nem o Deus muçulmano, nem o deus hindu. “Deus está além de Deus”, disse Paul Tillich.

          Aliás, precisamos olhar novamente para a história para perceber o que foi feito suplantado por essa ideia de catequização. Tivemos extermínio indígena na américa do sul no colonialismo, extermínio na áfrica no neocolonialismo, cruzadas e guerras santas, inquisições com fogueiras, perseguições. Tivemos o holocausto. Tudo isso em nome de sectarismo, mentalidade de gueto. Buscas por homogeneidade. Sinceramente, não é só presunçoso como paradoxal acreditar piamente que deus está resumido a uma religião, no caso, a cristã. É reduzir Deus à pó, nada. Não é esse o Deus de Jesus.

          Olhando para o Cristo, é fácil perceber que ele não propunha um mundo monocromático. Jesus, a meu ver, não veio ao mundo fundar uma religião, tanto é que não o fez, já que o cristianismo foi criado depois de sua morte. Jesus andava com marginalizados, sentava com samaritanos, publicanos… Quando questionaram sua inércia à se insurgir contra os romanos, ele sabiamente afirmou: Deem a césar o que é de césar. Jesus não guerrou contra romanos, tampouco tentou enfiar o judaísmo goela baixo de qualquer um. Quando o centurião romano o procurou, exaltou sua fé, pouco importando que este fosse politeísta e não-circuncidado. Sua mensagem era mais abrangente que isso. Enquanto fariseus discutiam o que comer, Jesus fazia tremer as bases de uma sociedade injusta e egocêntrica. Enquanto saduceus questionavam sobre quem seria marido de quem no céu, Jesus dava lições para uma vida em alteridade, em amor.

          Então, sim, acredito piamente que Deus está acima de nosso modelo cartesiano de encaixar as coisas. Deus está além da nossa sistematização. E claro que, sendo Deus, e seu espírito soprando onde bem entender, Ele pode ser encontrado em qualquer lugar. Ou, como bem melhor disse Tolstoi, “Onde está o amor, Deus também está”

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