Guerra e Paz: Um Grito de Esperança

Guerra e Paz

De sangue se mancham as ruas. De dor se afundam corações. A guerra, rainha do mal, fez de jardins, cemitérios. Qual lado sai vencedor? Aquele que conta menos corpos de seu lado? De guerra em guerra somos forjados, manipulados, homogeneizados. Por Deus, pela Nação, pela verdade ou pela sobrevivência, nos permitimos matar, trucidar e violentar os inimigos do lado contrário. É o mal quem flanqueia e nos garante: só assim teremos paz.

Quem remitirá nossos crimes contra o céu? De cruz no peito e em bandeiras, levamos a ira de deus, não daquele inocente que soçobra em pranto, mas do demônio humano, sanguinolento, belicoso, o Ares que se é cultuado no horror. De liças e desavenças niilistas, enganamo-nos por um maniqueísmo tolo, por um funesto ufanismo e por certezas mais que incertas. Feitos grei tresmalhada, corremos ao front como máquinas de guerra, programadas pelo mal.

Sem a mínima contrição, já nos tornamos indolentes e impassíveis. Quem financia carnificinas? Seria mesmo apenas o Estado, os interesses geopolíticos, os dogmas religiosos, ou também nós que consumimos violência como entretenimento? Na intermitência do jantar, 1500 jazem mortos, mas me passe o arroz por favor. Uns veem estatísticas onde outros enxergam pais, irmãos e amigos. A piedade perverteu-se em pena, maligna, avassaladora de empatia, carente de misericórdia, destituída de compaixão. A dor alheia já não choca.

Nos morros e nos becos, a faxina social permanece. Estado forte impõe força, invade e arrasa. É a lei da selva, a sobrevivência do mais apto deturpada como Darwin jamais esperou. Na cadeia alimentar urbana, o ínfimo topo da pirâmide extermina a larga base. São negros, índios e pobres os sempre condenados à execução sumária. A lógica maquiavélica propõe que valerá a pena, mas somente aos da praia.

Calar nunca fora opção. Sensibilidade e amor clamam por megafones. Contra a opressão midiática, antes microfone da liberdade, mas hoje já vendida às exigências do poder, resta a voz dos que ainda alardeiam contra a injustiça. Se poderosos silenciam, nos valemos do uníssono côro, posto que singelo, mas suficientemente capaz de espalhar bondade. O grito do bem incomoda.

Se em armas pegarmos, que sejam as do amor. Com o uniforme da tolerância e a bandeira da graça, entraremos na batalha dispensando misericórdia e perdão. Só com canhões de empatia e balas de açúcar conseguiremos rejuvenescer os jardins. Que o vermelho no chão seja apenas morangos. Que as mãos estendidas sejam por afeto. Que as diferenças, por fim, sejam o elo de ligação, jamais de discórdia.

É chegada a vez dos oprimidos, dos fracos, dos desvalidos. Que os miseráveis, sempre esquecidos, ora conclamem seu espaço na História. São esses, que na vida não cansam de serem pisados, que no chão soçobram em lágrimas, os verdadeiros bem-aventurados, e os únicos que serão consolados.

Este foi o texto-base para o evento artístico ‘Guerra e Paz: Um Grito de Esperança’, realizado na Igreja Betesda de Roraima, em 01 de novembro de 2014.

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