Penar

pena

Que houve poeta?

Se no passar dos teus dias

Deixaste esvair a esperança

Que coloria os dias cinzentos

E aquecia as noites frias?

Como posso eu

Aprendiz sem mestre

Seguir sem a beleza de tuas metáforas

Viver apenas com a puída realidade?

Se no outrora transformaste água em vinho

E hoje destilas versos amargurados

De que valerá tua arte que não se engaja

Quando a insônia da tua pena

Já não incomoda os que dormem impassíveis?

Por acaso esqueceste

Que morrem os Drummonds

Mas ficam-se as lutas?

Ou preferes cumprir a profecia de Saramago

Cuspindo na imagem do que eras

O escarro do que hoje são?

Como tu sentes a vida

Se já não deliras um mundo outro

Já não resistes ao chicote que açoita

Nem sequer abranda as feridas da alma?

Morreste quando cegaste à feiúra

E deixaste de chorar palavras.

E nós, caro poeta

Que ainda ansiamos cantar

A força que tuas letras nos davam?

Que não nos reste só a vida

Pois tu, inventor de sonhos

Precisas renascer.

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