Que Mundo Queremos?

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Usamos a palavra terrorismo numa forma que significa o seu terrorismo contra nós, mas não o nosso terrorismo contra eles.

É preciso lembrar que a pior campanha terrorista em todo o mundo é, de longe, a que está a ser orquestrada em Washington. É a campanha global de assassinatos. Nunca houve uma campanha terrorista a essa escala.

Noam Chomsky

Há uma facção criminosa, fundamentalista e extremista, muito mais ameaçadora que o Estado Islâmico ou Al-Qaeda: ela responde por Estados Unidos da América. Sua atuação belicosa, a nível global, é responsável por inúmeros crimes – que se lembre, imprescritíveis – contra a humanidade, sendo a invasão ao Iraque apenas um exemplo recente do horror infligido no mundo. Recorrentemente, desestabiliza governos, impõe ditaduras, fomenta conflitos internos, erradica culturas e deixa marcas profundas por onde passa. Atualmente, ensinou ao mundo uma nova e assustadora estratégia de guerra que garante o maior impacto ao menor risco: seus drones, máquinas de destruição massiva, têm promovido um silencioso holocausto, distante dos holofotes midiáticos.

Para além de seus atos de guerra, sua política global é igualmente nefasta. A disseminação de seu capitalismo predatório tem perpetuado a miséria do ainda existente terceiro mundo. Seu lucro tem como custo de produção o sangue e a fome de milhões. Os interesses de suas indústrias impedem o combate às desigualdades, a descoberta de novos medicamentos, a produção familiar e a autonomia econômica dos povos. A morte dos afetados é o ponto final de uma derrocada vertiginosa, vem chegando paulatinamente, insidiosa, latente; por tantas vezes, é uma benção pelo fim da tortura. Desde o Plano Marshall, nunca se viu uma estratégia politico-econômica tão bem sucedida em prostar o mundo aos seus pés.

Por vender armas à gregos e troianos, o fim das guerras não é uma pauta a ser discutida. Pelo potencial econômico da exploração humana, justiça social não é um objetivo a ser alcançado. Seu chauvinismo, de caráter protofascista, insculpido principalmente na farsa do american way of life, tem auxiliado na construção de muros imaginários cada vez maiores e disseminado o ódio irracional ao diferente. A mancomunação com o Estado Bélico de Israel tem sido efetivo na construção de inimigos que servem aos seus próprios interesses, mas não espere palavras de ordem, audíveis a nível mundial, contra esse imperialismo.

A Santa Nação Americana, berço do movimento evangélico, está fundada num extremismo religioso tão horrendo quanto qualquer um outro. Sob a pretensão de deter a verdade absoluta – que, desde Nietzsche, bem sabemos tratar-se de um engodo para encobrir as próprias convicções morais e interesses de quem as formula -, tem expandido um projeto de homogenização cultural ao redor do globo. Para tanto, reveste sua doutrina de conteúdo patriótrico e aspecto militar, sendo um exemplo claro dessa estratégia a perseguição e edição de leis extremistas contra os LGBTT em Uganda. Assistimos incautos a teologia do medo abocanhar nossos corações.

O Deus americano se apresenta como uma trindade: Capitalismo, Imperialismo e Patriarcado, e a relação interdependente entre essas três facetas tem deixado sulcos profundos em nosso tecido histórico. Sua hegemonia nos impõe que o melhor modelo de sociedade está construído por essas elites, e que não há escapatória à atual conjuntura. Mas por que permanecemos calados, dobrados e massacrados por esta violência? Como permanecemos sob o olhar atemorizante do superego americano? Em última análise, que mundo queremos?

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade.

Mia Couto

Há um mundo que interessa poucos: com mais prisões e menos escolas; imerso na paranóia da insegurança; em produção constante de inimigos; que ergue muros, cada vez mais altos e resistentes, para nos proteger do desconhecido; onde muitos perdem para que alguns ganhem; que fabrica armas e deflagra guerras sob o discurso da paz. Mia Couto nos revela: há quem tenha medo que o medo acabe. Esse é o mundo adoecido em que vivemos, mas não pode ser o mundo que queremos.

Todo o ódio impingido na ponta do chicote esconde o temor de que um dia os escravos possam se ver livres. A perpetuação da dominação possui uma estrutura bem definida, onde os privilégios tem de ser em favor de poucos e em detrimento de muitos. Tal essência, todavia, carrega o próprio espectro de sua destruição: Todo o poder não é páreo para a força de todas as fraquezas.

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