Poema da Sinceridade

Van Gogh - O Grito

 

Pra ser sincero,

Somos açoitados todos os dias

Com as contradições que carregamos

Diante dos temores que nos assombram

Pelos pedaços que não conseguimos juntar.

 

Pra ser sincero,

Andamos incertos sem quaisquer destinos

Carentes de ordem, segurança e precisão

Com uma pouca esperança no bolso

E desconfiados de nossa própria razão.

 

Pra ser sincero,

Bradamos tão alto que em nosso caminho

Força, fé e amor jamais faltarão

Mas tão logo dobramos a primeira esquina

Inexplicavelmente, estamos manchados de sangue.

 

Pra ser sincero,

Acredito em uma realidade outra

E quanto esforço faço para crer

Que somos, ainda assim,

deuses de nossa própria história.

 

Mas, pra ser sincero,

Escondo-me, acuado, em noites longas,

Covarde de me olhar no espelho,

Cativo de minhas enormes torpezas,

Distante de mim em mim.

 

Para quê, pois, sinceridade,

Afeto, luta e vigor

Se corro para gritar o que não faço

Se chamo para a direção de onde não ando

Se tenho em alta estima o que não sou.

 

Por isto mesmo, me sobra a sinceridade

De poder dizer, em raros momentos,

Que mundo seria este, sinceramente,

Se caso sinceros fôssemos.

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2 comentários sobre “Poema da Sinceridade

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