Da Entrega

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Que mãos escondem teus segredos

Quais dedos alcançam teus mistérios?

De noite fui Rei a conquistar impérios mil,

Desbravando seus gestos mais insólitos,

Arrematando os suspiros que são meus, por direito divino!

E me acordo plebeu, nu, malogrado,

Teu cheiro me consumindo, doce, porém forte,

E mesmo aquele olhar sem jeito, desvia e retorna firme.

Na tua mira me demovo, acanho, hesito,

E devolvo um olhar que é quase uma súplica

De um contrito e penitente fiel, prostrado num altar.

Esse jogo tem um nome?

Desejo.

Essa energia que irrompe do fundo da alma e remexe todos os órgãos,

Me dá pernas lânguidas, mas cabeça decidida.

Quem deseja sabe a força de um milhão de operários

Certos do que querem destruir.

Mas de toda paixão nasce o medo, latente, soturno,

Que corrói as veias, estanca a circulação,

De que podemos também destruir a nós mesmos,

Crer erguer fortalezas e terminar em cinzas.

Tudo que ama sofre o vazio que espreita,

Tudo que vive amarga o sabor da morte.

Porém, cai a tarde, você surge,

E já não sei se rei ou plebeu, se patrão ou operário,

Se teu ou se meu, se vivo ou se morto.

Esqueço.

Aí, amor…

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